Marketing como encantamento

“Professor” vem do latim profiteri: declarar em voz alta, professar. E, antes de ensinar qualquer coisa, é aquele que declara publicamente aquilo em que acredita (e nos convence a acreditar junto). É aquele que nos apresenta o mundo, muitas vezes antes de qualquer outra pessoa. Que faz com que a gente se apaixone pelo que está aprendendo. O papel do professor não é só ensinar, é encantar.

Eu tive a sorte de ter vários professores assim. Na escola, no técnico, na faculdade… Cada um deixou algo que eu carrego até hoje (e sou muito grata a todos eles).

Mas hoje peço licença pra falar de uma em específico: minha professora de química e biologia quando eu tinha uns 12 anos.

A Vanessa (ou Vanessinha) era uma professora diferente. Levava bichos pra escola. Fez concurso de fotografia (ganhei um com a foto da capa). Inventava maquetes e dinâmicas. Levava a turma pro laboratório… e, mais do que isso, transformava a sala de aula num laboratório.

Falante. Divertida. Agitada. Às vezes um pouco brava, a ponto de subir na mesa pra dar bronca na turma. Era uma professora amiga. Estava sempre ali conversando, aconselhando, falando de muito mais do que a apostila. Fazia o conteúdo virar parte do cotidiano, de um jeito tão leve que a gente mal sentia que estava estudando.

Resultado: eu saí do fundamental decidida a cursar técnico em química.

No fim, era longe de casa, mudei de ideia, conheci a multimídia e vim parar no design. Fim da história? Não. A Vanessa não nos ensinou só metais alcalinos, briófitas e cadeias saturadas.

Sempre digo que, em comunicação, vendemos histórias e ideias antes de qualquer produto. O que ela nos vendeu foi a curiosidade, o interesse, a criatividade. Um jeito de olhar pras coisas. E fez isso com uma turma de pré-adolescentes. Sem grandes verbas, sem campanhas, sem muito apoio. E com um público que, convenhamos, não é dos mais fáceis.

O objetivo nunca foi nos tornar químicos (embora alguns talvez tenham seguido as ciências da natureza), mas nos apresentar esse jeito de observar, levantar hipóteses, questionar, testar e tentar de novo.

E é assim que eu penso design hoje. É como estruturo um projeto e investigo uma marca. O laboratório mudou, mas o método ficou.

Talvez ela não saiba todo o impacto que teve na minha vida. Talvez não saiba que eu lembro dela toda vez que escuto Cartola. Um professor passa por centenas de alunos e talvez nem fique sabendo o que cada um deles levou.

Mas tenho certeza de que a Vanessa marcou muito mais gente do que só eu. Então, neste Dia dos Professores, deixo um abraço para todos que passaram pela minha vida e me ensinaram dentro e fora da sala. E um especial pra Vanessa… você me fez querer entender o mundo!

Me conta aqui nos comentários qual professor te vendeu uma ideia que você carrega até hoje 👇🏻