Por que envolver o marketing antes do produto existir
Todo mundo pode ter uma excelente ideia de negócio. Do nada, sem aviso, a ideia aparece, e você não quer perder tempo, então já parte pra execução! Mas se você não envolver “aquele pessoalzinho do marketing” nesse momento, pode estar cometendo um erro estratégico.
Você acorda de manhã e tem uma excelente ideia de negócio. Pensa um pouco, junta lé com cré e não perde tempo: começa a transformar a ideia em realidade. Desenvolve um aplicativo, compra insumos, sai prestando um serviço… O tempo urge!
Produto de pé, chegou a hora de chamar “o pessoal do marketing”, porque precisamos de apoio pra vender. Bora preparar um folder, uma arte pras redes sociais, quem sabe pensar numa campanha de divulgação via WhatsApp… Tudo perfeito. Mas a coisa não anda.
Depois de um tempo, a gente percebe que o produto não está vendendo como se esperava. As pessoas pra quem a gente imaginava vender não estão comprando. Elas até parecem gostar, mas não abrem a carteira. Aquela ideia que era tão boa está com dificuldade de se materializar em um bom negócio. Algo está claramente errado, e estamos programados pra buscar motivos e culpados.
O time comercial não é bom.
O pessoal de marketing errou na arte.
O backoffice não está fazendo seu trabalho direito.
O preço está alto.
E voltamos pra prancheta pra redesenhar o produto.
Mas muitas vezes o problema está um pouquinho mais pra trás, e podia ter sido evitado: não foi feito, lá no começo, um estudo sobre “como ir pro mercado com aquele produto”.
Tenho uma má notícia: uma ideia boa não vira um bom negócio automaticamente. Antes de sentar na cadeira pra materializar o produto, é preciso pensar com muita calma em quem é o público-alvo, pesquisar esse público, entender como ele funciona… porque tudo isso interfere no próprio produto ou serviço que está sendo desenhado.
Se desde o início a gente já sabe que pretende vender para o público “X”, e já sabe como esse público funciona, dá pra direcionar certas características do produto pra atacar dores específicas. Talvez o produto precise de um formato específico. Talvez você não deva usar certas palavras. Talvez seja importante comunicar essa ou aquela ideia. Talvez as cores da tela do seu aplicativo devam focar nesse ou naquele aspecto. Talvez seja uma boa ideia diminuir o escopo do produto, porque algumas coisas muito legais são irrelevantes pro seu público-alvo.
Quando “o pessoal do marketing” chega no final do processo de criação do produto, ele tem que responder à pergunta “como eu faço pra vender isso?”. Mas o marketing pode ser seu aliado pra responder outra pergunta: “como o produto ou serviço precisa ser pra gente conseguir vender pra aquele público?”. Isso ajuda na modelagem do produto, na definição de características técnicas e de prioridades, na precificação, em tudo! É um exemplo clássico de “ação reativa” versus “ação proativa”.
Empresas que planejam seus produtos chegam longe.
Empresas que apenas tentam reagir ao mercado tentam fazer milagre.
Comments are closed.